Escrever à esmo, sem expectativas, sem procurar palavras bonitas, sem saber o que escrever. Há algum tempo havia me esquecido que tinha onde escrever o que penso. Há tempos tinha esquecido que não preciso de um espaço específico para escrever. Esqueci-me de escrever. Meio que proposital, digo; simplesmente não mais o quis fazer. Gosto de fazê-lo. Sinto vontade de escrever, mas sou vencido amiúde pela malograda fadiga prematura. Sinto isso constantemente, com tudo. Fundou-se em mim essa constante ansiedade perante o cotidiano; sentir ter o mundo nas costas, saber ter que completar tarefas e simplesmente ceder à preguiça. Não o ócio puro, mas atormentar-se tanto às tarefas infundidas, e frugalmente cair num desespero inerte. É um estado constante. E aterrador.Não dormir por sentir que ainda há coisas incompletas. Dormir com a esperança de um dia novo, um dia melhor. Hoje é mais um dia. Um dia como ontem. Veremos como se desvela o amanhã…
Pergunte-me amanhã.
23 sexta-feira jul 2010
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