Depois que crescemos é que vemos que ser forçado à fazer as pazes não muda nada. Pode piorar, até. Não que “viver em harmonia” seja uma coisa ruim, mas a harmonia forçada realmente te traz paz ao espírito?
A convivência é uma das realidades mais duras a qual no propomos nos decorrer de nossas vidas. É uma escolha. Como um turista recém chegado a um país desconhecido vê-se entre morar numa casa com dez pessoas e pagar um preço razoável e morar num lugarzinho só dele, pagando um absurdo. A escolha geralmente pende para o lado que menos fere o bolso.
Conviver com dez pessoas, a princípio, pode parecer legal; gente nova, novas culturas, línguas e experiências. Mas não estamos tratando apenas com pequenos diários escritos por quem um dia os teve em mãos, estamos lidando com seres humanos. Escrever em conjunto, uma página sequer desse diário, pode ser uma jornada árdua, principalmente para os que a palavra parece não ter significado algum em suas vidas. Esses apáticos que ser deixam ser rabiscados à gritos e berros e não impõem-se perante os abusos sofridos. São esses os primeiros a se incomodar com as desarmonia entre os outros. “We’re not here for a long time, we’re here for a good time” (não estamos aqui por muito tempo, estamos aqui para um bom tempo), escutei alguém dizer durante uma desavença. E o mesmo poeta me diz amiúde que não aguenta mais dar cigarros para duas queridíssimas housemates. Deixar-se sugar é uma escolha sua mas, depois de exaurido em cigarros e argumentos, continuar vivendo de ‘good times‘ é pura irresponsabilidade consigo mesmo.
O ponto é: não se incomode com os problemas dos outros se os seus próprios te bastam. Se você ainda não se contenta com seus problemas, arranje mais alguns.