Sempre estamos falando dos outros. Hoje no twitter alguém postou “falar ‘odeio gente burra’ não te faz mais inteligente” — por mais nobre que fosse o comentário, o autor não está fazendo nada mais que discorrer sobre outrem (como estou fazendo agora, não me levem a mal). Estamos sempre achando motivos defeitos em tudo e em todos a fim de ensaiar asertivas para motivo algum além parecermos mais razoáveis.

Verdade seja dita: não existe uma verdade. E isso eu tenho tatuado (literalmente; explico depois). Por mais miseráveis, pequenas, frágeis e burras possam parecer aos nossos olhos, todas as pessoas vivem e morrem na realidade delas, coisa que não compete ao entendimento de ninguém além delas mesmas. Eu mesmo gasto tempo demais analizando e procurando o que poderia ser mudado nos personagens que não criei.

“You can never say the wrong thing” – Chuck Palahniuk

Ou, aprofundando mais nessa imensidão, estamos certos o tempo todo. Para nós mesmos, mais precisamente. Em nossas mentes estamos sempre certos no momento em que agimos. Até mesmo para declarar um erro, nesse exato momento estamos certos que o certo a fazer é positivar o erro. Tá, parei.

Agregado à isso tudo, encontra-se o sentimentalismo, que entra em cena quando estamos demasiadamente preocupados com a vida de quem amamos. É (?) inerente ao ser humano inquietar-se perante uma situação de desequilíbrio envolvendo um ente querido. Mas (voltando à escuridão de Palahniuk), por mais puras que sejam nossas intenções, qualquer gesto ou palavra que achamos relevantes compartilhar são só e simplesmente espelhadas nas nossas verdades.

Não quero que ninguém mude nada, juro, pois essa é a minha verdade; que é absoluta, na qual eu sozinho sou o referencial.